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A Chave de Ouro

A CHAVE DE OURO
O amor é a chave do coração humano. Anos atrás, no intuito de
ajudar alguns pequenos das ruas escuras de Nova York, uma organização
humanitária recorreu a certos agricultores residentes nos distritos
adjacentes, a fim de tomarem esses rapazes em suas casas, no campo,
onde os verdes gramados de Deus, as árvores e os belos prados
espaçosos poderiam ser vistos pela primeira vez por esses pobres párias.
E um dos garotinhos, um "ratinho de armazém", como lhe
chamavam, foi trazido para a casa de um fazendeiro exatamente na ocasião em que eles iam ter um convescote com os membros da igreja.
Não sabiam que fazer com ele. Não desejavam levá-lo consigo, para que
não lhes servisse de embaraço. Não queriam deixá-lo em casa sozinho,
receando que fizesse qualquer roubo. Escolheram, portanto, o menor dos
dois males, e o levaram também ao piquenique.
Os meninos fizeram uma jangada no rio e começaram a divertir-se
com ela na corrente. Tudo ia muito bem, mas eis que um dos pequenos
caiu na água. Os mais velhos achavam-se afastados da corrente, quando
ouviram os gritos frenéticos que soltava e correram a salvá-lo. Antes que
chegassem, porém, o "ratinho de armazém" atirou-se à água e salvou o
rapaz.
Era pleno inverno. Fazia frio e a água estava, por assim dizer,
gelada, o que produz uma sensação deveras desagradável. Assim que o
rapaz tinha sido salvo, as pessoas presentes tiraram suas capas e o
envolveram. Animaram-no e sufocaram-no de beijos, afagando-lhe
ternamente o rosto. Entretanto, o outro rapazinho permanecia de pé junto
à multidão, tremendo de frio. Alguém propôs fazerem ali uma subscrição
para ele. Tiraram 20 reais e mandaram o superintendente da escola
dominical oferecer o presente ao pobre pequeno. E ele disse: "Meu
homenzinho, desejamos dar-lhe isso como uma pequena prova de nossa
apreciação." E passou-lhe a carteira.
Mas o rapaz ali ficou a tremer de frio, e disse: "Senhor, não aceito o
seu dinheiro. Quero antes que o senhor me faça uma coisa. Não quer
fazer o favor de dizer a alguém aí que me ame?"
Oh! O amor é a chave de ouro que descerra o coração dos homens!
Quando Livingstone, a mil e seiscentos quilômetros de Zanzibar,
morreu de joelhos, aqueles cinqüenta e seis nativos que o tinham
acompanhado através do continente tomaram-lhe o corpo, tiraram-lhe o
coração pois diziam: "Seu coração pertence à África, porque ele a
amava" E enterraram aquele coração sob uma árvore. Depois carregaram
o corpo com tudo quanto lhe pertencia por mais de mil e seiscentos quilômetros através dos desertos, enfrentando toda a sorte de perigos,
combatendo tribos hostis, e o foram depositar, e a cada objeto que lhe
pertencia, num porto. Ah! seu coração foi sepultado ali, à sombra
daquela árvore, no coração da África, porque ele falava a língua da
humanidade, o idioma do Amor. – A Supremacia do Amor.

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